MARIANA PACHECO A 16 ROTAÇÕES
- Mariana Pacheco Fãs

- 23 de mai. de 2017
- 5 min de leitura

Ainda há quem a recorde como a malvada Catarina. Agora em 'Espelho d'Água' tem, finalmente em novela, um coração d'ouro. E afinal, a quem pertence o seu coração? À televisão - e à música.
Nasceu numa família onde a música era constante e ainda hoje é uma das suas paixões. Começou aos 11 anos na novela 'O Jogo' e nunca mais parou. Agora que entra numa nova novela, diz que continua adorar música mas que não é muito 'festivaleira'.
1 - Infância de artista
Aos 7 anos, sempre que via uma câmara fotográfica ou de filmar, tinha uma vontade descontrolada de ser o centro das atenções, a fazer palhaçadas, a cantar, a dançar. A minha mãe filmava-me muito, o que fez com que eu tivesse grande à-vontade com as câmaras. Claro que quanto mais novos somos, menos consciência sobre estas coisas temos. Tenho muito mais inseguranças hoje em dia do que tinha quando comecei. Mas isso não é necessariamente mau.
2 - Música no coração
Não se ouvia outra coisa em minha casa. De manhã à noite. E de tudo um pouco. Os meus pais tiveram inclusive três discotecas (lojas de discos, não clubes de dança) e traziam muitas novidades de Macau para vender cá. Eu fui o bebé mais actualizado em termos tecnológicos e musicais de sempre. Para além disso, o meu avô era o guitarrista da Hermínia Silva (o original 'Anda Pacheco') e o meu tio (Mário Pacheco) tinha um restaurante de fado, que chegou a ser palco das minhas cantorias quando era criança. Música nunca faltou na minha vida.
3 - A minha primeira cena
Não sei ao certo se foi a primeira cena de todas, mas lembro-me de ua cena na novela 'O Jogo', a andar de bicicleta com outras crianças e de mochila ás costas. A minha personagem chamava-se Aninhas, era órfã e vivia numa instituição com o irmão.
4 - Ser uma estrela 'Teen'
Comecei com 11 anos e mais tarde passei pelos 'Morangos com Açúcar', que eram um fenómeno. O pessoal saía das aulas a correr para ir ver o novo episódio. Claro que andar na escola com uma das caras do elenco era entusiasmante, os miúdos vinham ter comigo a querer saber o que ia acontecer, a pedir autógrafos das outras personagens, etc. Alguns eram menos simpáticos, mas faz parte da adolescência.
5 - O que esses primeiros temos me ensinaram
Que é bom sonhar, mas é mais importante viver. Nessa altura, aprendi a dar valor ás pequenas conquistas, a lutar pelo que queria, Eu era muito nova quando comecei, mas lembro-me da sensação de estar a fazer exactamente aquilo que queria para o resto da minha vida, e isso é inexplicável.
6 - Sair de casa aos 18
Sempre fui muito 'senhora do meu nariz', e a minha mãe educou-me de modo a ensinar-me a fazer, em vez de fazer por mim, o que provocou um crescimento rápido. Sair de casa aos 18 anos foi uma combinação de vontade de viver e reclamar a minha liberdade com a oportunidade certa. A minha mãe foi espectacular, ajudou-me e apoiou a minha decisão. E acredito que seja dos momentos mais difíceis de um pai quando os filhos largam os ninhos.
7 - Personagens 'boas' e 'más'
Fiz a 'má' Catarina e agora a 'boazinha' Rita, mas não acho que exista uma diferença tão grande assim entre uma vilã e uma heroína. O desafio está em interpretar uma personagem que tenha uma essência completamente diferente da nossa, o que permite que se explorem valores, opiniões, histórias e experiências que não são nossas e dar-lhes verdade. Acho que se tem apostado cada vez mais em personagens com diferentes camadas, que são complexas, e isso dá-lhes credibilidade. A Catarina não era apenas má porque sim, teve um passado de dificuldades e a ambição por uma vida melhor transformou-se numa cegueira descontrolada.
8 - O que aprendi com as minhas personagens
Muito. A Catarina era uma pessoa amarga com a vida e com uma sede insaciável de vingança, mas ensinou-me a não deixar que os problemas tomem proporções maiores que as devidas, a não guardar rancor por nada e a passar por cima do negativismo. Ajudou (pelo contraste) a que fosse uma pessoa mais leve e positiva. A Rita tem um coração generoso e altruísta, é capaz de pôr a sua vida em risco para salvar a de alguém. Não suporta injustiças, o que a torna muito impulsiva e por vezes erra por isso. É cética em relação em entregar-se. E quando isso acontece é verdadeiro. Tenho muito da Rita, mas em doses mais moderadas.
9 - Para que serve uma novela
Para que possamos chegar a casa depois de um longo dia de trabalho e entrar noutro mundo. Vive-se a história tão intensamente do lado do sofá como do outro lado da televisão,e isso é mágico.
10 - Vontade de ser outra coisa...
Houve várias vezes em que tive vontade de largar tudo e ir fazer outra coisa qualquer. Há uns anos ponderei ir para o Porto, que é uma cidade onde adoraria viver. Vi um curso que me interessou e andei a ver casas para alugar. Foi mais ou menos nessa altura que surgi a oportunidade de integrar o elenco de 'Bem-vindos a Beiras' e não olhei mais para trás. Coincidência (ou não), acabei por ir parar ao Porto com as gravações de 'Coração D'Ouro'. Não podia estar mais feliz com as portas que se abriram desde então e sinto que estou exactamente onde deveria estar.
11 - Cantar ou representar?
Ui...pergunta difícil. Talvez há uns tempos a resposta fosse diferente, mas hoje em dia sinto que estão ambas em equilíbrio. Não vivo sem uma ou sem oura. Descobri o que é presentar e cantar pela primeira vez o ano passado (com o musical 'Quase Normal') e adoraria poder fazê-lo mais vezes. Sinto que ainda não sei quem sou na música, mas quero viver essa paixão.
12 - O que mais detesto que me digam
"Não consegues fazer isso..." - é a frase-chave que me leva a querer provar que consigo, a mim e aos outros. E tendo em conta o resultado que por vezes se consegue, talvez nem a deteste tanto assim...
13 - O que vejo como espectadora
Gosto muito mais de ler do que ver. Gosto de realizar as histórias na minha cabeça e imaginá-las, desde miúda. Não vejo muita televisão, gosto mais de séries e de filmes e adoro ir ao cinema.
14 - Não, não canto no banho...
Por mais estranho que pareça, é o único sítio onde eu nunca canto. Ou oiço música ou estou em silêncio total.
15 - A minha banda sonora
Não tenho apenas uma banda sonora na minha vida, tenho várias, que oiço conforme o meu estado de espírito ou influências externas. Às vezes vicio-me num álbum de tal forma que não oiço mais nada, outras vezes oiço coisas novas que fogem ao meu estilo habitual. Ultimamente tenho andando a ouvir mais música portuguesa, que nunca esteve muito presente nas minhas playlists (à excepção do fado e de alguns artistas específicos). As minhas influências musicais são muito diferentes umas das outras, vêm de vários sítios e épocas. Desde o Sinatra á Winehouse, Wainwright e Pink Floyd, Aretha e Doors, Beatles e Queen, Amália e Veloso, não saberia escolher apenas um.
16 - A que festivais vou Na verdade não sou muito festivaleira, Adoro ouvir música ao vivo e já perdi algumas oportunidades de ver artistas de que gosto por não querer passar pela confusão dos concertos e festivais. Este ano gostava de ver Guns&Roses, The XX, mas só esta garantido o bilhete dos Depeche Mode que a minha mãe insistiu para ir ver comigo. Não tenho planos para o resto, mas pode ser que ainda me apanhem aí num festival ou noutro...
Fonte: ACTIVA







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