MARIANA PACHECO: "QUERO MUITO SER MÃE"
- Mariana Pacheco Fãs

- 25 de out. de 2017
- 4 min de leitura

Depois de um papel marcante em Coração d'Ouro, que representou um ponto de viragem na sua carreira, Mariana Pacheco, de 25 anos, voltou a provar por que razão é uma das grandes apostas da SIC na ficção. Sem tiques de vedetismo e sempre fiel a si própria, a atriz, que depois de Coração d'Ouro se dedicou ao teatro, está agora no horário nobre, no papel de Rita Faria, a protagonista de Espelho d'Água. E é visivelmente feliz, mas com um sentido de responsabilidade muito apurado, que Mariana nos fala deste projeto e partilha em jeito de confidência, aquilo que a completa.
Já disse em diferentes ocasiões que foi o seu papel em Coração d'Ouro que a fez apaixonar-se verdadeiramente pela representação...
- Sim, foi depois de Coração d’Ouro que comecei a ver isto com mais seriedade, com mais paixão, e que comecei a perceber qual é a sensação de estar completamente fora da minha zona de conforte e superar-me a mim própria.
Isso levou-a a agarrar a personagem de Espelho d'Água de forma diferente?
- Fez-me, sobretudo ter muito medo de falhar e de não estar á altura, porque quando superamos expectativas e fazemos um bom trabalho, temos sempre medo que o projeto seguinte não seja tão bom, ou que as pessoas não gostem, ou até de não nos sabermos distanciar disso.
Como é que lida com essas inseguranças?
- Mal! [Risos] Mas tenho que viver a verdade de uma história e a essência da minha personagem.
E a essência desta personagem tem alguma coisa da sua própria essência?
- Ela tem um lado muito humano, uma grande sensibilidade com as crianças e um coração enorme. E, a nível de personalidade, somos parecidas na força e na determinação...Acho que a Rita Faria me está a fazer muito bem.
Porquê?
- Porque ela tem um lado humano muito aguçado, que eu podia ter mais. Acho que desperta em mim um lado mais solidário.
As personagens obrigam-na a olhar para dentro e a fazer uma autoanálise?
- Esta profissão é muito interessante, porque nos permite encarnar outras pessoas, o que, só por si, é uma experiência quase transcendental e isso permite-nos ter perspectivas de pensamento, e não só, muito diferentes das nossas. Ou seja, leva-me a colocar-me no lugar do outro. E também acaba por fazer com que nos analisemos individualmente e pensemos as coisas, que era algo que não costumava fazer comigo.
Já disse, em entrevistas anteriores, que é uma pessoa muito livre. Hoje, com o reconhecimento que tem, consegue manter essa liberdade?
- Sim...As coisas que mudei, em termos de hábitos, não estão relacionadas com isso. Por exemplo, saía mais à noite hoje já não o faço, mas não é por causa disso. Não deixo de fazer nada por medo, até porque não me chateiam muito. Quando as pessoas vêm ter comigo, são sempre bons momentos, que me lembram que de facto estou a fazer aquilo de que gosto. Nunca tive nenhuma situação menos simpática ou mais aborrecida. Portanto, sinto-me livre, sim.
E sente que tem conseguido, de uma maneira geral, manter a sua privacidade intacta?
- Já houve casos, e sabemos bem, em que isso não aconteceu. [Referindo-se às notícias que lhe atribuíam uma relação com Filipa Marinho.] Mas, de uma maneira geral, acho que sim.
Como é que lida com essa exposição?
- Foi só chato porque nem fez muito sentido a maneira como o assunto foi abordado.
Esse é o lado mau desta profissão?
- É. E nem estamos a falar da falta de privacidade, estamos a falar das coisas serem contadas de forma descontextualizada ou menos simpática. Este é o lado mau, mas faz parte e temos de saber lidar com isso. Na altura não fiz um grande drama e deixei passar...
Manter a descrição que a caracteriza foi o segredo?
- Acho que sim. Alimentar é perpetuar um assunto que não tem de ser discutido, porque é a minha vida privada. Se sou conhecida, é porque estou a fazer um bom trabalho, que não tem nada a ver com o que faço fora da minha profissão. Por isso o lado mais privado da minha vida não precisa de ser falado. Nem tocado, sequer. Gosto muito de separar as coisas.
Fez há pouco tempo 25 anos. Está ode achava que estaria com esta idade?
- Não! Talvez fosse o meu sonho, mas não esperava cumprir tantas coisas tão cedo, como acho que já alcancei algumas coisas, que posso contar aos meus filhos com orgulho. [Risos.] Portanto, estou muito feliz por estar a fazer aquilo de que gosto e ser reconhecida por isso - o que é fantástico - e por estar numa casa que amo, que é a SIC. Tenho uma boa vida, não me posso queixar. Mesmo que ande de um lado para o outro e cansada, estou muito feliz com 25 anos. É fantástico.
Falou na partilha com os seus filhos. Ser mãe é uma vontade?
- É. Quero muito ser mãe! Sinto que quando isso acontecer o meu instinto maternal vai despertar e vou ser a melhor mãe de sempre. Até lá, não tenho muita paciência para crianças, mas elas adoram-me.
Gostava de concretizar essa vontade cedo?
- Eu diria que sim, tanto que a minha mãe me teve aos 31 e durante imenso tempo eu dizia que ia ser mãe mais cedo. Mas sinto que gosto demasiado desta vida para abdicar dela. Ainda sou muito egoísta para isso. E quando isso acontecer o foco passa a ser a criança, passa a ser o meu filho. Deixa lá tratar da minha vida, fazer coisas incríveis, muitas novelas, lançar uns CD, viajar e, quando acontecer, acontece. Há coisas na vida que não podem ser planeadas, senão perdem a graça toda.
E que outros planos fez para si? - Para já, no final do ano vou levar a minha mãe a Nova Iorque, para passarmos o Natal e passagem de ano. De resto prefiro fazer planos a curto prazo. Para o ano quero gravar um CD. Tem de ser. Vou escrevendo, vou fazendo, vou adiando, mas tenho de começar a sério. Tem que haver um investimento de disponibilidade e tempo para fazer isso acontecer. Não sou completa sem música. A música é indissociável de mim.
Fonte: CARAS







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